quarta-feira, 7 de maio de 2008

VELHO PARNAÍBA

(Regis Fontes)

Ah! Que belas margens peladas,
Águas barrentas, mais que sacia a sede de muitas beatas.
Teu comprimento me entontece,
Tua largura desvairasse os viventes
Do território banhado pelas obscuras borracheiras marrons...
Valor quase nunca é atribuído ao teu dom de refrescar-nos,
Aqui, aculá alguém te prestigia,
Sem muita formalidade ou sem nada de vaidade,
E há de chegar o dia que os alienados que não reconhecem teu valor,
Os sujões e os que tem furor contra ti,
Hão de dizer: O que fazemos sem teu sabor?
Pois já sentimos do norte ao sul o cheiro de morte e dor,
E quase não lembrados das vazantes,
Dos dias que se passou...
Nós pensamos,
Ó velho Parnaíba, tuas águas estão sendo varridas,
E nosso viver encurtado,
Temo pelo dia que tu não mais banharás nossas vidas,
Ó velho Parnaíba.

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