sábado, 9 de maio de 2009

POSSUÍDO

(Regis Fontes)

Simplesmente desaparecem na nevoa tais espíritos
Que me atormentam
E reaparecem sem que eu perceba
Para novamente me perturbar

E com muitas vozes sussurrando ao mesmo tempo
Não me permitem que eu me escute
E me assombram
E branco de medo, gélido e pálido permaneço.
Quando o crepúsculo me sobrevém
Ainda atordoado me esqueço

E me deixo mergulhar na turva noite
Envolto pelo nevoeiro
E não mais guiado por mim mesmo
Toda espécie de dor, impiedade e delito cometendo...
Possuído pelos espíritos que já não me perturbam
Mas que fazem parte de mim

E na noite que de súbito não me possuem
Invocá-los é a única solução:
Ó espíritos que vagueiam na noite
Que das profundezas sobem
Venham a mim, aqui estou.
Tomem meu corpo e deflagrem esse medo
Encham minha cabeça de insanos pensamentos
Façam frios todos os meus sentimentos.

Possuído novamente me entonteço
Torna-se um vício não ser dono de si mesmo
Não guiar-me, apenas ser levado
Sem mandar, sem pensar, sem impedir...
Possuído por outro lado de mim.

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